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A redenção de Alarico

  • Writer: José Marcos Trad
    José Marcos Trad
  • Jan 25, 2025
  • 2 min read

Updated: Jan 24

I


Alarico I

 

(A cobiça)

Lembro que era feroz como jamais

fora visto nos campos de batalhas;

e carregava a sede de ouro e mais

me atiçava a conquista das muralhas.

 

Sitiava, com tropas, as cidades,

para vender vantagens libertárias;

e fazia, dos campos, um novo Hades

de mortes e de lutas sanguinárias.

 

Morto, retomo a vida espiritual

e, surpreso, me vejo um animal

feroz, pela cobiça desvelado.

 

Imploro meu regresso àquele campo

a remir meus erros e sob pranto

feliz, tenho o desejo abençoado.


II


Alarico II


(Senhor da Guerra)


Na realeza foi meu nascimento,

para melhor cumprir a minha sina

de trazer nova paz e sentimento,

reinando com bondade genuína.

 

Encarnado, de tudo me esqueci

combatendo as ideias pacifistas,

e em dantesco e macabro frenesi

enveredei por guerras nunca vistas.

 

Ao morrer, está em guerra meu reinado

e regresso ainda mais endividado

à pátria verdadeira, como outrora.

 

O homem vil e orgulhoso sucumbira

aos sofismas e intrigas da mentira

e, enganado pelo ego, triste, chora.

 


III


Cardeal Richelieu                                                

(O poder temporal)


De púrpura lancei-me ao desatino

e às ilusões trevosas do meu claustro:

À França? Todo amor e meu destino;

ao humilde Cordeiro, luxo e fausto.

                                                            

O Cristo releguei à pequenez

dos dogmas que serviam ao Estado,

traduzindo a vileza e mesquinhez;

do mando ao poder desassisado.

 

Ó vaidade, sofisma que não cala,

vilã do ego que a morte despetala;

és melífluo feitiço de Medeia.

 

Ó orgulho, sementeira de amargor,

plantação de tristeza e de dor,

em ti trazes os traços da morfeia.

              

 

 IV


Jésus Gonçalves

 

(A redenção)


Reencarnei em faina redentora,

distante dos teatros de outras vidas,

tendo a dor por sublime educadora e nas carnes feridas putrescidas.

 

Meu passado de fausto glorioso,

as comendas que outrora conquistei,

resumiram-se aos trajes de leproso

que auferi nas colônias que adentrei.

                                                             

Sofro em paz os horrores da morfeia,

que redime meus dias na alcateia

dos salões e das hostes sanguinárias.

 

Bendita sejas sina purulenta,

luz nas almas que a carne violenta

mas nos cura das chagas milenárias.

Sonetos de José Marcos Trad
Jan/25







 
 
 

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